Nova Deli – O presidente do Conselho Europeu saudou hoje o momento histórico de conclusão das negociações para um acordo comercial entre a União Europeia (UE) e a Índia, lembrando as suas raízes indianas e a cimeira do Porto de 2021.
“Hoje é um momento histórico: estamos a abrir um novo capítulo nas nossas relações no comércio, na segurança e nos laços entre os povos”, disse António Costa, em declarações em Nova Deli no final da 16.ª cimeira UE-Índia.
“Sou o presidente do Conselho Europeu, mas também sou um cidadão indiano e, por isso, como podem imaginar, [o dia de hoje] tem um significado especial para mim [pois] tenho muito orgulho nas minhas raízes em Goa, de onde é originária a família do meu pai”, admitiu o antigo primeiro-ministro português, lembrando ainda quando a presidência portuguesa do Conselho da UE organizou a cimeira do Porto, em maio de 2021, que permitiu “relançar as negociações comerciais” hoje concluídas.
“A ligação entre a Europa e a Índia é algo pessoal para mim”, assinalou António Costa, nas suas declarações junto ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A UE e a Índia concluíram hoje, após 18 anos, as negociações para “o maior de todos os acordos comerciais”, visando um mercado sem barreiras para dois mil milhões de pessoas.
Durante a presidência portuguesa do Conselho da UE, no primeiro semestre de 2021, a Índia e a UE concordaram em negociar um acordo comercial, outro de proteção de investimentos e um de indicações geográficas.
As negociações comerciais da UE-Índia arrancaram em 2007, mas estiveram bloqueadas por receios ambientais e agrícolas e foram retomadas em 2022, tendo sido hoje finalizadas.
Está em causa cerca de 25% da população mundial.
“A nossa cimeira envia uma mensagem clara ao mundo: num momento em que a ordem global está a ser profundamente redefinida, a União Europeia e a Índia permanecem unidas como parceiras estratégicas e fiáveis”, vincou o antigo primeiro-ministro.
O acordo comercial reforça os laços económicos e políticos face às crescentes tensões geopolíticas e desafios económicos globais, nomeadamente depois das ameaças tarifárias dos Estados Unidos sobre países europeus, entretanto retiradas. (27/01/26)

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