A professora universitária Sofia Casimiro considera existir um equilíbrio legislativo deficiente na União Europeia (UE) nas tecnologias de informação, afirmando que a UE tem menos recursos para correr à mesma velocidade da China e dos EUA em ferramentas IA.
Em entrevista à agência Lusa, Sofia Casimiro, especializada na área de direito e tecnologias de informação, explica que a abordagem legislativa da inteligência artificial (IA) na UE não é incorreta, “porque é muito difícil tratar corretamente a inteligência artificial (…) e a União Europeia, na tentativa de proteger os direitos fundamentais, por vezes cai em extremos”.
É possível assegurar “a proteção da privacidade, da liberdade de informação, da liberdade de expressão, sem, no entanto, restringir em demasia estas inovações tecnológicas, sobretudo estas que são, de facto, fraturantes e determinantes para a evolução da União Europeia”, refere a docente.
Nesta matéria, a professora diz haver três principais interesses a proteger: os interesses singulares (de cada pessoa), os interesses das empresas (no interesse do desenvolvimento económico) e os interesses do Estado, relacionados com o desenvolvimento económico e a UE centra-se mais no cidadão, na defesa dos valores europeus. “Este é o grande valor que distingue a União Europeia”, embora haja um “equilíbrio deficiente na legislação da União Europeia”, numa tentativa de destacar a defesa dos diretos fundamentais que tem prejudicado os interesses coletivos, argumenta.
Deste modo, Sofia Casimiro explica que estes interesses são enquadrados nos protagonistas mundiais: China, Estados Unidos e União Europeia, dizendo haver uma bipolarização tecnológica entre a China e os EUA.
“A China, claramente procura proteger, essencialmente, os interesses do Estado, através da proteção dos sujeitos, e mais facilmente, das empresas. (…) Os Estados Unidos da América dão maior ênfase à proteção das empresas, para o desenvolvimento financeiro”, podendo com isso também fazer a transição para o Estado.

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