BRUXELAS – O governo português não vê como prioridade a reafetação das verbas da coesão para a defesa, estando antes a estudar qual “a melhor forma” de investir para alcançar os 2% do PIB para este setor em 2025.
“Não creio que isso deva ser uma prioridade. As verbas da coesão são muito importantes para o desenvolvimento regional, para setores muito relevantes da economia e da sociedade portuguesa, mas tentaremos encontrar as melhores soluções possíveis”, disse o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, falando aos jornalistas portugueses em Bruxelas no final da reunião do Ecofin.
As declarações surgem quando cerca de 90% do investimento público total em Portugal é feito com base em verbas da coesão da União Europeia e depois de a Comissão Europeia ter pedido aos países a reprogramação de tais fundos para promover a mobilidade militar e reforçar as capacidades de defesa.
Hoje mesmo, os ministros das Finanças da UE deram aval a que Portugal invista mais em defesa sem correr o risco de ter procedimento por défice excessivo, aprovando a ativação da cláusula de escape nacional.
Sobre tal aprovação, Joaquim Miranda Sarmento apontou: “Estamos a preparar o plano para que todos os anos possa haver um aumento gradual, que não tem que ser linear, portanto dependerá de ano para ano”.
Questionado sobre onde investir, o responsável apontou: “O Ministério da Defesa, junto com o Ministério das Finanças, está a fazer esse trabalho de fundo de onde é que vamos investir, em que tipo de equipamentos e que efeitos é que isso pode ter na economia”.
“Nós estamos a analisar qual a melhor forma de este ano chegar a 2% e chegar aos 3,5% [até 2035], que tipo de investimento vamos fazer. Nós temos sobretudo, como é normal, uma preocupação relativamente ao espaço marítimo e ao espaço aéreo e portanto tudo isso está a ser desenvolvido pelo Ministério das Finanças e pelo Ministério da Defesa Nacional e a seu tempo será divulgado”, adiantou.
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